O significado moral das ações humanas: metafísica e ética em Arthur Schopenhauer
LEO AFONSO STAUDT
- Autor
- LEO AFONSO STAUDT
- Orientador(a)
- Urbano Zilles
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2004
Este trabalho apresenta o significado moral das ações humanas, segundo Arthur Schopenhauer. É um estudo bibliográfico de interpretação dos textos de Schopenhauer, decifra e expõe conceitos centrado na idéia fundamental norteadora da sua filosofia. A partir de via kantiana de acesso à sua doutrina, tematiza a dupla face do mundo e da existência: como representação e como vontade. O mundo como representação, com seus dois princípios: da razão suficiente e da individuação, é sempre o mundo como objeto de um sujeito. Mas a face essencial do mundo é a vontade. Esta, como o em si do mundo, é a mesma desde o inorgânico até os seres conscientes. Depois de apresentar esta dupla face do mundo e a gênese do indivíduo, trata da ação humana. Primeiro, enquanto afirmação da vida, e, em seguida, enquanto negação de todo querer. Realça que Schopenhauer nunca contestou a existência da significação moral do agir humano, mas sempre contrapôs o agir moral ao natural egoísmo que determina as ações do indivíduo. Levou até as últimas conseqüências uma ética purificada de todo egoísmo. Por isso, a ética está no plano da vontade, e na contemplação estética e pela compaixão, verdadeiro caminho para toda negação do querer, o indivíduo deixa de estar submetido ao princípio da razão suficiente e supera a separação do eu e do não eu. A base metafísica da ética faz o indivíduo reconhecer a sua essência de modo imediato no outro. O ascetismo, com a vida dos místicos e santos, é a melhor ilustração que Schopenhauer apresenta para o que entende por negação da vontade. Por fim, com a unidade da metafísica e ética em Schopenhauer, este trabalho, além de expor a significação moral da ação humana, apresenta também uma compreensão sistemática de sua filosofia. Em Schopenhauer, na exposição da sua concepção geral do mundo e da existência, a ética ocupa o centro da sua metafísica, pois a ordem moral se sobrepõe à ordem física. Não compreender a sua ética dentro da unidade metafísica, que caracteriza sua doutrina, faz com que ela seja despida do significado que o autor lhe revestiu. Assim como a essência do indivíduo é também a essência do universo, a concepção moral da ação humana é também a concepção moral do mundo. Ou seja, o sentido da ação moral como negação da vontade não é a salvação do indivíduo, mas a redenção do mundo.
