- Autor
- Christopher Rowe
- Revista
- Revista Archai
- Ano
- 2012
- Páginas
- 11
- Idioma
- pt
Em breve “diálogo” com dois textos do Prof. John Cooper, este artigo trata um aspecto particular da relação entre os tratamentos da “alma”, principalmente, no Livro IV da República de Platão; e por Aristóteles no De anima, na Retórica e nos tratados éticos. Para Platão, a alma humana representa a combinação de três elementos, partes ou fatores - logistikon, thumoeides, epithumêtikon -, comparáveis a um homem, um leão e um monstro e respectivamente associados a ações causadas pela razão, pelo “thumos” ou por nossos apetites. A tripartição é uma ideia dominante pelo menos em contextos relacionados à psicologia moral e à explicação da ação nos diálogos platônicos a partir da República. Não há grande interesse de Aristóteles pelas “partes” da alma, mas pelo menos no contexto ético há alguma tendência a dividir a alma, se bem que apenas por analogia, e divide frequentemente o desejo em três subtipos - boulêsis, thumos e epithumia. Contudo, naqueles textos aristotélicos que se preocupam mais diretamente com a psicologia moral, isto é, os tratados éticos e a Retórica, o que realmente mais chama a atenção é, acima de tudo, a ausência da tripartição da alma. Para Aristóteles, não há muita utilidade para qualquer ideia de “partes” da alma no sentido platônico.
