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Operações sociais da mente

André Leclerc

Autor
André Leclerc
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
55 / 2
Ano
2010
DOI
10.15448/1984-6746.2010.2.10236
Idioma
pt
2010André Leclerc. Operações sociais da mente. Veritas (Porto Alegre), v. 55, n. 2, 2010.1

Thomas Reid introduziu a noção de operação social da mente na teoria da mente e da linguagem. Sseu amigo James Gregory desenvolveu essa noção no contexto da Gramática Uuniversal clássica, particularmente na teoria geral dos modos verbais. A gramática filosófica clássica, antes de Reid e Gregory, pressupõe inter alia que a mente é “autocontida” (self-contained); em outras palavras, que os conteúdos e as operações mentais independem do ambiente natural e social. Algumas dessas operações têm uma estrutura em modus/dictum que corresponde, grosso modo, à distinção atual entre modo psicológico e conteúdo mental conceitual, análoga à distinção entre força ilocucionária e conteúdo proposicional e que se reflete parcialmente no sistema de modos verbais nas línguas naturais. A famosa Gramática de Port-Royal já indicava uma limitação importante desse modelo de mente autocontida: “Oon ne se commande pas proprement à soi-même”, escrevem Arnauld & Lancelot (“Não se ordena propriamente a si mesmo”). Defenderei que Reid percebeu que o individualismo não permite capturar os aspectos sociais da linguagem e, por isso, viu a necessidade de apresentar uma concepção de mente diferente, anti-individualista. A noção de operação social da mente é a peça fundamental da reforma empreendida por Reid em filosofia da mente. Ademais, ele e Gregory defenderam que as linguagens se formaram particularmente para expressar esses aspectos sociais da linguagem e da mente.