- Autor
- Nailane Koloski
- Revista
- Revista Enunciação
- Edição
- 10 / 2
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.61378/3j4trw04
- Páginas
- 75 - 106
- Idioma
- pt-BR
Este artigo analisa as origens do ceticismo da Nova Academia, propondo que ele deve ser entendido não como uma ruptura com a tradição platônica, mas como uma continuidade crítica da atitude investigativa inaugurada por Sócrates e desenvolvida nos diálogos de Platão. A partir da análise das principais figuras do período cético da Academia, Arcesilau e Carnéades, sustenta-se que a epokhē (suspensão do juízo) e a rejeição de doutrinas dogmáticas não representam abandono do platonismo, mas sua radicalização metodológica. Ao invés de propor um sistema alternativo, os acadêmicos retomam o impulso investigativo de Sócrates e exploram o caráter aporético dos diálogos platônicos. Por meio de fontes antigas (como Cícero, Sexto Empírico e Diógenes Laércio) e do debate com intérpretes modernos, o artigo defende que a Nova Academia reinterpreta o legado platônico de forma estratégica, enfrentando os dogmatismos contemporâneos, sobretudo o estoicismo, sem renunciar ao ideal filosófico da busca crítica pela verdade.
