Voltar para Artigos
Artigos

Os Limites da Interação Pessoa-Máquina

André Leclerc

Autor
André Leclerc
Revista
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea
Edição
13 / 2
Ano
2025
Idioma
pt
2025André Leclerc. Os Limites da Interação Pessoa-Máquina. Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, v. 13, n. 2, 2025.2

Resumo: Muito trabalho já foi feito para aperfeiçoar a interação Pessoa-Máquina. A máquina deve ser provida de uma linguagem com uma sintaxe poderosa que a torna capaz de simular, até certo ponto, uma interação verbal entre duas pessoas. A sintaxe deve conter, por exemplo, indicadores de forças ilocucionárias que determinam quando uma enunciação conte como afirmação, questão, ordem etc. A máquina, para ter alguma utilidade, deve ter também “à sua disposição” um banco de dados considerável sobre os contextos mais frequentes de uso da linguagem, e sobre regularidades naturais, sociais, práticas e maneiras padrão de fazer as coisas. O ponto que quero destacar é o seguinte: a linguagem da máquina deve ser altamente arregimentada, ao passo que a língua comum usada por nós no dia a dia tem uma irredutível “textura aberta”, e manifesta uma forte dependência contextual. Todos os exemplares (tokens) de uma mesma frase de uma linguagem arregimentada devem ser compreendidos da mesma maneira por todos os usuários, em contextos de uma variedade bastante limitada que não alteram o significado expresso pela frase. Isso é fundamental para a comunicação científica. Os algoritmos processados por máquinas que funcionam “em ambientes fechados” também são imunes às influências contextuais. No entanto, na língua comum, os exemplares de uma mesma frase devem ser compreendidos diferentemente, de acordo com o contexto, para serem compreendidos corretamente. A máquina só pode processar algoritmos desprovidos de sensibilidade ao contexto. Essa diferença, a meu ver, é significativa.