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OS “TRÊS AGOSTINHOS” DO LIVRE ARBÍTRIO/LIBERDADE

Marcos Roberto Nunes Costa

Autor
Marcos Roberto Nunes Costa
Revista
PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
Edição
9 / 17
Ano
2018
DOI
10.26694/pensando.v9i17.6444
Páginas
246-266
Idioma
pt
2018Marcos Roberto Nunes Costa. OS “TRÊS AGOSTINHOS” DO LIVRE ARBÍTRIO/LIBERDADE. PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA, v. 9, n. 17, p. 246-266, 2018.3

Quem se limita a ler apenas os dois primeiros livros do diálogo Sobre o Livre Arbítrio, de Santo Agostinho, escritos em sua juventude em resposta aos maniqueus, correrá o risco de pensar que está é a única e genuína concepção agostiniana de livre arbítrio/liberdade. Pois, até aquele momento Agostinho usa indiscriminadamente os termos livre arbítrio e liberdade como sinônimos, dando ao homem  uma total independência em relação à graça divina. Entretanto, nas obras da maturidade, a começar pelo livro III do supracitado Diálogo, quando entram em questão em seu sistema filosófico-teológico os conceitos de pecado original e graça divina, Agostinho inicia uma progressiva distinção entre livre arbítrio e liberdade, na qual, num primeiro momento, na polêmica contra os pelagianos, o livre arbítrio aparece como parcialmente dependente em relação à graça divina, ficando a liberdade restrita apenas a pessoa de Adão, e, num segundo e último momento, na disputa com os semipelagianos, quando será acrescida à questão da predestinação, o livre arbítrio reaparece como totalmente dependente da graça divina. Aqui, paradoxalmente, com a  cooperação da graça irresistível, os santos homens predestinados alcançarão  a “verdadeira liberdade” em Deus. Eis o que iremos demonstrar no presente artigo.