Pensamento metafísico e pós-metafísico: a propósito de uma distinção e algumas implicações
Leno Francisco Danner
- Autor
- Leno Francisco Danner
- Revista
- Argumentos - Revista de Filosofia
- Edição
- 6
- Ano
- 2011
- DOI
- 10.36517/Argumentos.3.6.19168
- Idioma
- pt
Este artigo pretende refletir sobre o significado da distinção entre pensamento metafísico e pensamento pós-metafísico, procurando mostrar que esta distinção repousa na resposta à – e no modo de fundamentação da – objetividade dos valores de verdade e de moralidade. Buscaremos mostrar que essa distinção e a correspondente discussão dizem respeito à discussão entre relativismo/subjetivismo ceticismo e objetivismo epistemológico e moral. A partir disso, pensaremos algumas questões ligadas à filosofia e à religião hoje, notadamente os desafios ligados à idéia de cientificidade da filosofia e à possibilidade, em se tratando da filosofia, de fundamentarmos objetivamente tais valores de verdade e de moralidade em um contexto de pluralismo religioso e moral e de ciência racionalista; e, em se tratando da religião, a questão do privatismo do fenômeno religioso, enquanto dependente eminentemente da consciência de cada crente (a religião, nesse caso, deixaria de ser um fenômeno de massas e determinante do espaço público para retirar-se à esfera privada da vida, para a consciência de cada crente. Em uma era de secularismo radical, essa é a nossa tese, as sociedades democráticas estariam caminhando para a absoluta necessidade de justificação de todos os espaços sociais e exigindo exatamente essa retirada das religiões para a esfera privada da vida. Por fim, nos perguntaremos ainda pela questão da legitimação dos conteúdos religiosos: eles ainda seriam validados exclusivamente pela instituição religiosa (por exemplo, a Igreja Católica) ou o fato de a religião tornar-se um fenômeno eminentemente privado, dependente da consciência de cada crente, implicaria na perda de centralidade das instituições religiosas?
