- Autor
- Paulo César Rodrigues
- Orientador(a)
- Débora Cristina Morato Pinto
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS — UFSCAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2009
A questão que elegemos aqui, como via de acesso ao pensamento do autor,.interroga pela natureza do sujeito empírico. Para examiná-la em seu detalhe, foi preciso.empreender uma dupla investigação: da estrutura da percepção e da inteligência. No estudo da.percepção, constatamos que Bergson inverteu o paradigma da tradição e pensou a experiência.sensorial como decorrência dos interesses ativos do sujeito, libertando-o inicialmente de todo.compromisso epistemológico. A percepção, portanto, pôde ser pensada a partir da categoria “ação.possível”. Posteriormente, notamos que o mesmo se passou com a inteligência, uma vez que.nossa própria “faculdade de conhecimento” foi concebida como um resultado empírico da.percepção, da ação e dos hábitos que aí se articulam, muito embora Bergson reserve à.inteligência, já no contexto de suas teses últimas, um sentido metafísico passível de ser.apreendido unicamente pela intuição. É, por certo, essa oscilação entre o sentido empírico e o.sentido metafísico da subjetividade que instaura no bergsonismo uma dualidade não apenas.epistemológica, entre duas modalidades de conhecimento, intuitivo e intelectual; mas também.ontológica, entre a positividade plena do real e a negatividade que o inverte, criando o sujeito.inteligente e a realidade da matéria sobre a qual ele se aplica. Semelhante ambigüidade estará.presente em todo o nosso trabalho, uma vez que a circunscrição do sujeito empírico não veda.nosso acesso à “superabundância” temporal do Ser, a qual excede o âmbito da experiência.comum, sempre organizada no horizonte prático da percepção e da inteligência.
