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Perséfone e os dólos de Zeus: o engano da deusa no Hino Homérico a Deméter

Mellyssa Coêlho de Moura, Orlando Orlando Luiz de Araújo

Autor
Mellyssa Coêlho de Moura, Orlando Orlando Luiz de Araújo
Revista
Prometeus - Journal of Philosophy
Edição
43
Ano
2023
DOI
10.52052/issn.2176-5960.pro.v15i43.19601
Idioma
pt
2023Mellyssa Coêlho de Moura, Orlando Orlando Luiz de Araújo. Perséfone e os dólos de Zeus: o engano da deusa no Hino Homérico a Deméter. Prometeus - Journal of Philosophy, n. 43, 2023.1

A consagração de Perséfone como deusa ctônica se inicia com um narciso estonteante e se consagra com uma romã doce como o mel. Estes elementos simbólicos, no entanto, não operam como simples ornamentos poéticos; e sim como uma forma dolos, com vários níveis e associações, que, como uma isca, atrai a presa para que esta cumpra um determinado desígnio imposto por outro. Deste modo, propõe-se refletir acerca dos principais enganos sofridos pela deusa Perséfone, especificamente os narrados na representação do mito do rapto da deusa descrita no Hino Homérico a Deméter, para que se possa ponderar sobre a representação do feminino através de sua caracterização fragilizada e vulnerável à arte do engano pelas entidades masculinas operantes. Consta-se, assim, que a filha de Deméter é vítima, em mais de uma situação, dessa força dirigível do dólos, e que, através do engano e do ardil, Zeus de imperecíveis desígnios subverte as situações a seu favor, reiterando sua hegemonia sobre os deuses e, em especial, sobre o feminino.