- Autor
- Mariana Palozzi Sérvulo da Cunha
- Orientador(a)
- Francisco Benjamin de Souza Neto
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2000
: O conceito de vontade não está presente entre os gregos, mas aí já encontramos sua gestação; com Agostinho ele adquire perfil mais definido, e com S. Tomás surge o que poderíamos considerar uma teoria cristã da vontade. Na obra de Agostinho, que dá início a esse processo, , não há uma teoria acabada a respeito da vontade, mas encontram-se passagens significativas, principalmente em De Trinitate e De libero arbitrio. Vemos aí, ampla reflexão sobre a vontade a propósito da imagem de Deus no ser humano (memoria Dei, intellegentia Dei, amor Dei) , sobre o livre-arbítrio e a origem do mal. Não realizamos uma abordagem geral e exaustiva a respeito da obra de Agostinho, mas uma sim, uma sondagem em duas significativas obras (devido a profundidade delas e elaboração metafísica) onde aparece recorrentemente e com realce diferentes aspectos. No De trinitate é um dos termos da analogia divina, inseparável da memória e da inteligência, que nos remete ao Deus Uno-trino. No Libero arbitrio a vontade é o esclarecimento para o significado do mal moral. Podemos dizer que a vontade humana, em Agostinho, está principalmente associada a 1: memória e inteligência 2- livre arbítrio e liberdade. No primeiro capítulo, após descrevermos a vontade como amor, examinamos sua relação com o conhecimento, ressaltando seu papel fundamental na atividade cognitiva: sem ela não poderia haver conhecimento . No capítulo seguinte (que se refere o livre-arbítrio e a liberdade) tratamos do papel da vontade como elemento definidor da individualidade, no conflito do ser humano consigo próprio. Tudo isso discutido, podemos apreender algo sobre o significado do ser humano agostiniano; o relacionamento da memoria, intellegenta e voluntas, a vontade como amor, o livre-arbítrio e a liberdade no revelam como o ser humano, sendo criatura, está ligada ao seu criador; revelam tb , como esse vínculo de um estado latente na memória, pode passara o presente, à luz do pensamento (cogitatio); este, por ser fugaz e intermitente, remete o homem a uma espécie de jogo, como que o retirando de si mesmo incessantemente e o reapresentando a si mesmo num esconde-esconde da """"consciência de si"""" (do conhecimento de si) e conhecimento de Deus.
