Platão é entediante.: Algumas observações sobre uma passagem de Crepúsculo dos Ídolos
Ernani Chaves
- Autor
- Ernani Chaves
- Revista
- Revista Limiar
- Edição
- 4 / 8
- Ano
- 2017
- DOI
- 10.34024/limiar.2017.v4.9204
- Páginas
- 227-243
- Idioma
- pt
O objetivo do presente artigo é procurar elucidar uma passagem enigmática no Crepúsculo dos ídolos, na qual Nietzsche caracteriza Platão como entediante. Essa tentativa de elucidação pressupõe a inserção do tema do tédio tanto na própria obra de Nietzsche quanto no contexto histórico-cultural de sua época. Nessa perspectiva, se o tema do tédio se articula ao do estilo, em especial tendo em vista o que Nietzsche chamou de “estilo da décadence”, por outro lado ele também está ligado à própria concepção de filosofia, a qual, desde Platão se constitui como a dominante em nossa cultura, concepção que favorece os “ideais”. Procura-se mostrar, por fim, que mesmo que Nietzsche critique severamente Platão, por outro lado, ainda no Crepúsculo dos ídolos, ele não deixou de valorizar o impulso erótico que caracterizou o fundamento da filosofia platônica.
