- Autor
- Alexandre Franco de Sá
- Revista
- Revista Archai
- Ano
- 2017
- DOI
- 10.14195/1984-249X_20_1
- Páginas
- 15
- Idioma
- pt
A contraposição entre filosofia e filodoxia no pensamento de Platão sugere que a filosofia possa ser pensada, numa primeira abordagem, como o esboço de um projeto político alternativo à democracia. Se a democracia assentaria no poder da multidão, e na prevalência das opiniões (doxai) que circulam por essa mesma multidão, a filosofia basear-se-ia no poder dos filósofos, isto é, daqueles que possuiriam a “arte de reinar”. O presente artigo aborda a insuficiência desta primeira abordagem e questiona a relação entre a filosofia e o poder. Ver-se-á que Platão tenta situar esta relação entre uma dupla noção. Por um lado, a noção de que, se a filosofia tivesse poder suficiente para se contrapor à cidade democrática, um tal poder seria uma tirania absoluta que não poderia deixar de a corromper enquanto filosofia. Por outro lado, a noção de que, se a filosofia se baseasse exclusivamente nos seus argumentos e não se relacionasse de forma nenhuma com o poder, ela seria simplesmente impotente e não conseguiria ter lugar no seio da polis.
