Podem os argumentos do apêndice da parte I da Ética vencer a superstição?
Lucas André Marques Pereira
- Autor
- Lucas André Marques Pereira
- Revista
- Cadernos Espinosanos
- Edição
- 47
- Ano
- 2022
- DOI
- 10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2022.199767
- Páginas
- 265-289
- Idioma
- pt-BR
Neste trabalho, pretendemos investigar o poder que os argumentos do apêndice da Parte I da Ética possuem para enfraquecer a superstição que reside na mente do leitor. Dada a necessidade dos preconceitos que levam à consolidação da superstição finalista, é esperado que o leitor, ao se deparar com a Ética, esteja completamente tomado pelas crenças finalistas. Tendo isso em vista, como poderia a compreensão desses argumentos ser capaz de eliminar a superstição? Como intentamos demonstrar, o conhecimento adquirido é incapaz, ao menos num primeiro momento, de levar a cabo essa tarefa: é necessária uma meditação amiúde reiterada. Isso é possível porque a meditação, ao utilizar o conhecimento sobre a necessidade da superstição como ponto de partida, é capaz de reorganizar os afetos, de modo a tornar os afetos racionais gradativamente mais fortes que os afetos ligados à superstição.
