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Poética trágica: ruptura na ordem do mundo ou o cosmos fora do eixo

Cristina Maria Flores Ribas

Tese
Autor
Cristina Maria Flores Ribas
Orientador(a)
Maura Iglésias
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO — PUC-RIO
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2012
2012Cristina Maria Flores Ribas. Poética trágica: ruptura na ordem do mundo ou o cosmos fora do eixo. 2012. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): Maura Iglésias.2

A presente tese de doutorado tem como tema a tragédia grega da antiguidade clássica, pensada em seu contraste com a tragédia do Renascimento ou primórdios da era moderna. Mais especificamente focado nas obras Édipo Rei, de Sófocles, e Hamlet: Príncipe da Dinamarca, de William Shakespeare, este estudo pretende tratá-las, respectivamente, no contexto histórico e filosófico em que emergem: a tragédia antiga, nos tempos pré-socráticos, marcados pela consolidação do processo democrático da polis grega e a tragédia moderna, em tempos de ascensão da revolução científica e ruptura com a cosmologia aristotélico-ptolomaica tradicional, por meio do pensamento de Giordano Bruno, Copérnico e Galileu, dentre outros, e também pela retomada, por Montaigne, da antiga tradição cética, pela afirmação da autonomia da consciência, bem como pela irrupção da “subjetividade”; traços característicos da entrada do mundo na era moderna, e que marcam as principais linhas diferenciais entre ambas as formas da tragédia. Pensada em sua estreita relação com a noção grega de cosmos, a poética trágica desponta como a afirmação de que a tragédia ocorre justamente quando algo nessa ordem se rompe. A tragédia é, portanto, na medida em que se conserva a arcaica imagem do mundo assentado sobre um eixo, uma poética da desarticulação da ordem do mundo ou a poética do cosmos fora do eixo.