Voltar para Teses
Teses

Pólis e Politeía em Aristóteles: estudo sobre a ética da cidadania na Política

João Silva Lima

Tese
Autor
João Silva Lima
Orientador(a)
JOÃO CARLOS KFOURI QUARTIM DE MORAES
Universidade
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2010
2010João Silva Lima. Pólis e Politeía em Aristóteles: estudo sobre a ética da cidadania na Política. 2010. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, SP. Orientador(a): JOÃO CARLOS KFOURI QUARTIM DE MORAES.2

A polis é uma comunidade política ordenada por uma politeía tendo em vista o bem viver para os seus politai. É, pois, na relação entre polis e politeía que podemos pensar a definição de cidadania, compreendida fundamentalmente como direito de cidade e atividade própria do polítes. É a cidade (polis), por meio dos seus cidadãos (politai), que escolhe a melhor constituição (politeía), e é esta, por sua vez, que estabelece todas as condições necessárias à felicidade (eudaimonía) das polis e dos seus politai. Inserido na polis é que o homem pode cumprir sua função de vivente político. Somente nesta condição o homem tem a possibilidade de atingir uma vida melhor, que é viver bem juntos. Com efeito, este fim (que é um bem) só pode ser alcançado por aqueles que adquirem o plenodireito de cidaão e, nesta condição, desenvolvem atividades (práticas ou teoréticas) conforme a excelência da virtude, tendo em vista o bem propriamente humano. A filosofia aristotélica se move no interior de uma hermenêutica do viver humano em comunidade, cuja expressão máxima culmina na experiência da cidadania. A tese baseia-se na compreensão de que a """"cidadania"""", apesar de variar em cada politéia, é uma atividade, não como fim último, mas enquanto meio, para a plena atualização do homem como """"vivente político"""", sobretudo porque dela decorre sua inserção e participação ativa na comunidade política. Não ser cicadão é, em última instância, ser um excluído da pólis, embora isto não signifique viver fora dela. Apenas a condição de cidadão possibilida ao homem exercer plenamente a força do lógos como vivente político de uma comunidade de livres e iguais, comunidade política onde a vida humana atinge a plenitude de sua natureza. A pólis é a medida e o limide da humanidade do bem para com o homem. Portanto, ao menos no plano da ação (vida política), que certamente difere da contemplação (vida teorética), a """"cidadania"""" (ser cidadão) é a maior possibilidade de alcançar o """"bem viver junto dos cidadãos"""", que finaliza eticamente toda a dimenção humana da polís. É. portanto, na estreita correlação da pólis e política que reside o núcleo deste estudo sobre a """"ética cidadania"""" na Política de Aristóteles.