- Autor
- Ronie Silveira
- Revista
- Argumentos - Revista de Filosofia
- Edição
- 31
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.36517/Argumentos..31.91853
- Páginas
- 181-193
- Idioma
- pt
Caracterizo inicialmente o que considero ser um consenso crescente no que diz respeito às relações entre a ciência e a natureza. Esse consenso contraria a definição da atividade científica como um dispositivo de instrumentalização do mundo natural – algo que ele é, desde o seu nascimento. Em seguida, critico a noção hegeliana de que a ciência estaria dotada de uma política igualitária frente à natureza. Finalmente, traço as linhas gerais do que poderia vir a ser uma autêntica política desse tipo: somente possível dentro de um conjunto de crenças politeístas. Nesse ambiente estariam estabelecidas as condições para a desobjetivação da natureza e a desubjetivação do sujeito – processos sem os quais as relações permaneceriam definidas em uma estrutura hierárquica. A partir dessa alteração, se poderiam promover relações mais igualitárias entre os seres humanos e a natureza: base para a sustentação de uma forma de vida realmente ecológica. Isso permitiria superar o mecanismo escravista da ciência moderna cujas engrenagens tomam impulso a partir do empobrecimento espiritual da natureza.
