- Autor
- SAMIR HADDAD
- Orientador(a)
- GUILHERME CASTELO BRANCO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2002
O trabalho é uma reflexão sobre a tradição do pensamento político-filosófico a partir da obra de Hannah Arendt, particularmente de suas análises acerca do totalitarismo e da sociedade moderna. Usando os conceitos da autora procuramos determinar as possibilidades da construção de um discurso político contemporâneo e o desenvolvimento de um humanismo pós-totalitário que possa servir como opção às posições marxistas hegemonicamente vigentes. O totalitarismo na obra de Hannah Arendt é singular, assim como o sentido que dá à política como ação e discurso. Fundamentamos o humanismo pós-totalitário nos conceitos de pluralidade dos homens e natalidade, ressaltando a dignidade que confere à ação política e a tentativa de resgatar seu sentido originário como aparece na Grécia antiga. Os conceitos criados pela autora vão de encontro às bases do pensamento de Marx: à idéia do trabalho como a atividade fundamental do homem ela opõe a ação política como a mais digna; transforma a idéia de liberdade como reconhecimento da necessidade em liberdade como conceito político, possível na atividade dos homens no espaço público; e a revolução deixa de ser a solução das necessidades sociais para se transformar na busca da liberdade política e da instauração de novos corpos políticos. A crítica de nossa tradição política é também uma crítica à sociedade moderna e ao esquecimento da política que se transforma em administração, perdendo seu sentido próprio e evidenciando o perigo do ressurgimento de sistemas totalitários na medida em que o espaço público - a garantia da liberdade política - possa ser destruído.
