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POR QUE CONFIAR NA CIÊNCIA? UMA ANÁLISE ONTOEPISTEMOLÓGICA

Clair de Luma Capiberibe Nunes, Wellington Pereira de Queirós

Autor
Clair de Luma Capiberibe Nunes, Wellington Pereira de Queirós
Revista
Problemata - Revista Internacional de Filosofia
Edição
17 / 1
Ano
2026
DOI
10.7443/problemata.v17i1.76367
Páginas
252-272
Idioma
pt
2026Clair de Luma Capiberibe Nunes, Wellington Pereira de Queirós. POR QUE CONFIAR NA CIÊNCIA? UMA ANÁLISE ONTOEPISTEMOLÓGICA. Problemata - Revista Internacional de Filosofia, v. 17, n. 1, p. 252-272, 2026.4

Este estudo investiga por que podemos confiar na ciência, considerando sua natureza provisória e sujeita a revisões conceituais. A pesquisa adota a perspectiva pragmática do segundo Wittgenstein e se fundamenta em uma abordagem holística, introduzindo o Argumento Holístico do Milagre, desenvolvido pelos autores, para analisar a confiabilidade científica. A questão central é: como justificar a confiança nas teorias científicas diante da Primeira Tese da Subdeterminação? O objetivo é articular rigor metodológico, valores cognitivos e implicações sociais das ciências, propondo um modelo ético normo-utilitarista. Metodologicamente, o estudo recorre à análise conceitual e ao raciocínio formal baseado na Teoria da Complexidade de Kolmogorov, que distingue sequências altamente compressíveis e estruturadas (teorias consistentes) de sequências aleatórias. Classes conceituais inovadoras organizam teorias e padrões naturais, formalizando a improbabilidade de surgimento acidental de teorias coerentes. O estudo evidencia que a ciência, embora não neutra, combina rigor, valores cognitivos e participação social, sustentando a confiança epistêmica. Entre as limitações estão a abstração conceitual das classes e a generalização dos modelos éticos. Pesquisas futuras podem aplicar empiricamente o Argumento Holístico do Milagre, investigar sua extensão a diferentes formas de vida científica, contextos culturais e políticas científicas, avaliando impactos sociais e institucionais.