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PREPARANDO A REPÚBLICA: .Maquiavel e a ditadura revolucionária de transição

VINICIUS SOARES DE CAMPOS BARROS

Tese
Autor
VINICIUS SOARES DE CAMPOS BARROS
Orientador(a)
Fernando Jader de Magalhães Melo
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA ( JOÃO PESSOA ) — UFPB-JP
Programa
FILOSOFIA (UFPE-UFPB-UFRN)
Grau
DOUTORADO
Ano
2011
2011VINICIUS SOARES DE CAMPOS BARROS. PREPARANDO A REPÚBLICA: .Maquiavel e a ditadura revolucionária de transição. 2011. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA (UFPE-UFPB-UFRN)) — UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA ( JOÃO PESSOA ), PB. Orientador(a): Fernando Jader de Magalhães Melo.2

A nossa época, carente de valores pelos quais valha a pena sacrificar-se, ressente-se da .falta de leitura de certos autores. Inflacionado pelo culto à vida privada, nosso mundo de hoje .caracteriza-se muito mais por uma maciça reclusão dos indivíduos à esfera de seus negócios .particulares do que pela certeza de que só a ação racional no campo político e a exaltação das .virtudes cívicas são capazes de enobrecer a vida social. .Recrudescimento dos fundamentalismos religiosos, alienação no que se refere ao bom .entendimento das condições reais da vida política e o pouco interesse por tudo aquilo que .exija o exercício reflexivo como único caminho possível para a compreensão de determinada .manifestação artística e criativa são as marcas de maior realce de uma sociedade pós-moderna .voltada, de forma decisiva, para tudo aquilo que, sendo essencialmente passageiro, não nos .eleva o espírito e não é capaz de nos fazer confrontar com as grandes questões, que sempre se .revelaram de fundamental importância para o homem em sua longa caminhada na busca de .formas estáveis e justas de convivência política. .Em tal contexto, em que o público perde cada vez mais espaço para o privado, em que .a participação política é deixada de lado em prol de nosso desejo irrefreável em satisfazer .todos os nossos interesses, por mais egoístas que sejam, um pensador como Nicolau .Maquiavel, o tão estigmatizado secretário florentino, deveria ser mais requisitado .teoricamente a fim de fornecer o ideário adequado à reação: o resgate do republicanismo. .Embora existam acadêmicos imbuídos desse mister, e que vêem, nas lições perenes do .ilustre Segundo Chanceler de Florença, a ponte que nos liga à recuperação, sempre oportuna, .do sentido mesmo de res publica, ainda é lugar comum a recepção do pensamento .maquiaveliano como um receituário que, na contramão de suas intenções originais, serve .antes aos interesses inconfessáveis do tirano de plantão do que à definição precisa do .republicanismo democrático. .Mas, como reduzir O Príncipe a um manual da má conduta política não é o bastante, o .conteúdo desta obra – pouco lida, mas despudoradamente citada até mesmo pelos que não a .leram – é vulgarmente interpretado como a cartilha ideal para todos aqueles que almejam .conquistar o êxito em seus negócios à custa do prejuízo de outrem. Dessa maneira, Maquiavel .salta do âmbito referente às questões estatais para o domínio das relações privadas.