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Pressupostos fundamentais da tese dos dois aspectos

Tiago Fonseca Falkenbach

Autor
Tiago Fonseca Falkenbach
Revista
Kant e-prints
Edição
15 / 3
Ano
2020
Páginas
220-243
Idioma
pt
2020Tiago Fonseca Falkenbach. Pressupostos fundamentais da tese dos dois aspectos. Kant e-prints, v. 15, n. 3, p. 220-243, 2020.1

No presente artigo, pretendo analisar uma das interpretações da distinção transcendental entre fenômenos e coisas em si mesmas, a tese dos dois aspectos [the two-aspect view]. Meu objetivo é indicar e esclarecer alguns pressupostos fundamentais dessa interpretação, nem sempre explicitados pelos seus defensores. Um dos maiores desafios dessa interpretação é explicar como é possível conciliá-la com a tese kantiana da não espacialidade das coisas em si mesmas. Pretendo mostrar que a conciliação pressupõe a satisfação das três seguintes condições: (i) em primeiro lugar, é necessário admitir que, para Kant, a relação cognitiva entre objeto e sujeito cognoscente é constitutiva do objeto; (ii) em segundo lugar, é preciso conceber a identidade entre fenômeno e coisa em si mesma como uma identidade relativa, não absoluta; (iii) em terceiro lugar, é preciso admitir que certos enunciados sobre o objeto da cognição possuem uma estrutura lógica peculiar, a estrutura de um juízo reduplicativo. A análise desses pressupostos visa contribuir para a elucidação dos compromissos teóricos da tese kantiana do idealismo transcendental.