QUEBRANDO A CIRCULARIDADE: PERCEPÇÃO E CAUSALIDADE EM THE ANALYSIS OF MATTER
Renato Cesar Cani
- Autor
- Renato Cesar Cani
- Revista
- Revista Dissertatio de Filosofia
- Edição
- 56
- Ano
- 2022
- DOI
- 10.15210/dissertatio.v56i0.21396
- Páginas
- 69-88
- Idioma
- pt
Neste artigo, investigamos que tipo de noção de causa precisa ser pressuposta por Russell (1921; 1927) na defesa da teoria causal da percepção. Um dos propósitos da teoria causal é fornecer uma fundamentação epistemologicamente satisfatória para o conhecimento científico. Entretanto, não está claro que a definição de causa como regularidade sequencial – proposta por Russell em 1912 – atenda aos requisitos dessa teoria. A partir de algumas objeções levantadas por Eames (1989), que identifica uma circularidade viciosa no argumento de Russell em favor da teoria causal, sustentamos que a noção de causa requer uma caracterização ontologicamente mais robusta. Nesse sentido, sugerimos que o argumento de Russell acerca da teoria causal se beneficiaria de uma noção de causa análoga àquela proposta pelo realismo de capacidades de Cartwright (1989; 1999). Basicamente, atribuir uma capacidade a um objeto equivale a afirmar que ele possui uma tendência estável para causar determinados efeitos nas circunstâncias apropriadas. Apesar de metafisicamente robusta, a noção de capacidade proposta por Cartwright é compatível com uma interpretação empirista da ciência. Argumentamos que a aproximação entre a teoria causal da percepção e o realismo de capacidades indica que a teoria causal possui certa independência com relação aos demais pressupostos assumidos pelo realista estrutural epistêmico.
