QUENTIN SKINNER ACERCA DA“DOUTRINA MAQUIAVÉLICA”E ESTOICA DE MONTAIGNE
Fernanda Elias Zaccarelli Salgueiro
- Autor
- Fernanda Elias Zaccarelli Salgueiro
- Revista
- Revista Kriterion
- Edição
- 65 / 159
- Ano
- 2024
- Páginas
- e-47863
- Idioma
- pt
O objetivo deste trabalho é considerar criticamente a leitura de Quentin Skinner, apresentada em As fundações do pensamento político moderno, a respeito da obra de Montaigne, em particular, do ensaio “De l’utile et de l’honneste”. O professor da Universidade de Cambridge insere Montaigne em uma matriz filosófica que perpassa tanto a “doutrina maquiavélica”, supostamente vinculada ao discurso da razão de Estado, quanto o ideário político dos estoicos e dos neoestoicos. Procuramos demonstrar a fragilidade desta tese ao assinalar, primeiro, o reconhecimento de Montaigne à virtude dos princípios do pensamento de Maquiavel, que não é confundido com as doutrinas do maquiavelismo e da razão de estado, as quais rejeita; e, depois, a diferente abordagem de Maquiavel e Montaigne acerca da relação entre ética e política. Quanto aos estoicos, caracterizados pelo autor pela resignação diante da “morte pública”, o movimento do texto vai no sentido de apontar que esta não é uma marca atribuível aos estoicos como um todo e muito menos a Montaigne. Ao cabo, apresentamos uma leitura do ensaio para nele destacar detalhes que reforçam que Montaigne não pode ser afiliado, como faz Skinner, nem à doutrina maquiavélica e da razão de Estado, nem ao estoicismo ou neoestoicimo.
