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Raça e a partilha colonial do sensível na obra de Achille Mbembe

Victor Galdino Alves de Souza

Autor
Victor Galdino Alves de Souza
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
23 / 2
Ano
2023
DOI
10.31977/grirfi.v23i2.3329
Páginas
195-209
Idioma
pt
2023Victor Galdino Alves de Souza. Raça e a partilha colonial do sensível na obra de Achille Mbembe. Griot : Revista de Filosofia, v. 23, n. 2, p. 195-209, 2023.2

O objetivo deste ensaio é analisar as condições de possibilidade da escravidão e da violência antinegra, assim como da produção de significações raciais – do ser-negro – e das fantasias coloniais. Para isso, buscarei, majoritariamente, recursos conceituais na obra de Achille Mbembe, com auxílio de alguns conceitos de Jacques Rancière, de forma a tratar o que chamo de partilha colonial do sensível, analisando a relação entre a raça enquanto construção imaginária, significações raciais e a organização social da percepção e da sensibilidade que herdamos do colonialismo europeu. Assim, pretendo elaborar o sentido da ausência de enlutabilidade – nos termos de Judith Butler – e de crises éticas – nos termos de Denise Ferreira da Silva – na esteira da violência racial desde o tempo da escravidão, mostrando, também, como o tempo da liberdade não se constitui como ruptura profunda, pois não interditou a reorganização da linguagem e da imaginação sobre um mesmo fundo de negatividade inaugurado com o exercício soberano do poder colonial como um poder de não-ver e não-ouvir a humanidade negra.