- Autor
- José Francisco dos Santos
- Orientador(a)
- Ivo Assad Ibri
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2006
Peirce e Popper desenvolveram suas filosofias em épocas diferentes, e Popper teve um contato muito superficial com as obras de Peirce, insuficiente para que estas pudessem influenciar de modo decisivo o seu pensamento. Não obstante, ambos desenvolvem teses bastante convergentes acerca da falibilidade da ciência. O presente trabalho compara a teoria dos dois autores, buscando destacar seus pontos em comum e suas divergências, sobretudo no que se refere ao realismo, que aparece como fundamento necessário à tese do falibilismo. A análise empreendida permite concluir que o embasamento do realismo em Peirce aparece de modo muito mais consistente que em Popper, uma vez que aquele enfrenta a questão num espectro bem mais amplo, o que o permite propor soluções para problemas que, para Popper, ainda são considerados um mistério. O realismo mais abrangente de Peirce fortalece seu falibilismo, enquanto o realismo de Popper, que não consegue superar a noção do senso comum, faz com que seu falseacionismo apresente lacunas e inconsistências, que são discutidas durante o trabalho. Assim, conclui-se que o falibilismo peirceano engloba o falseacionismo de Popper, uma vez que discute problemas muito similares e abre caminho para uma discussão mais aprofundada e para soluções mais abrangentes dos problemas enfrentados por ambos.
