- Autor
- ALBERTINHO LUIZ GALLINA
- Orientador(a)
- FRANKLIN LEOPOLDO E SILVA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2003
Este trabalho visa retomar o problema do conhecimento da Natureza na filosofia de Descartes, mostrando que a sua justificação envolve tanto uma discussão sobre a representação quanto uma demonstração da existência do mundo material. Na primeira parte do trabalho mostramos que o conhecimento dos fenômenos naturais requer uma fundamentação metafísica. Esta exigência conduz Descartes a explicitar duas questões fundamentais para sua física: a natureza matemática da estrutura última da realidade mateiral e a natureza representacional do conhecimento, elaborado a partir da percepção das idéias inatas ao espírito humano. Estas duas questões metafísicas tornam possível o desenvolvimento da física, cujo exemplo paradigmático é a explicação mecanicista do fenômeno da visão. Na segunda parte são analisados os argumentos que constituem a justificação do conhecimento humano, especialmente no tocante ao modo como o conhecimento é elaborado e a natureza do objeto conhecido. Ao refutar a possibilidade de um conhecimento direto do mundo exterior e ao provar a existência do sujeito pensante, Descartes mostrou que o conhecimento humano resulta da percepção de idéias. Mas, sobretudo, mostrou que o conhecimento físico da Natureza requer, além da garantia da verdade que depende da existência de um Deus veraz, também a existência de algo exterior e heterogêneo ao pensamento: a existência das coisas materiais. A terceira parte trata de discutir como é possível pensar o conhecimento da Natureza, uma vez que a percepção sensível somente contribui ao nível das informações pertinentes ao bem estar do composto espírito-corpo. Contudo, mesmo que a participação da sensação não seja direta, a sua ocorrência permite ao entendimento determinar as propriedades geométricas dos corpos existentes no mundo, as quais servem de conteúdo para as explicações físicas dos fenômenos da Natureza. Mesmo sustentando uma concepção realista, as inovações propostas por Descartes lhe permitiram pensar a física como uma ciência cuja representação torna possível o conhecimento quantitativo do mundo natural.
