REGRA E CRIATIVIDADE NO COMPORTAMENTALISMO RADICAL DE B.F. SKINNER
Paulo Roberto dos Santos Ferreira
- Autor
- Paulo Roberto dos Santos Ferreira
- Orientador(a)
- Júlio César Coelho de Rose
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS — UFSCAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2010
Por meio de uma leitura crítica da obra skinneriana, pretendeu-se.esclarecer as ambigüidades presentes na comunidade científica e.filosófica no que diz respeito aos conceitos de regra e estímulo.verbal. Também buscou-se uma formulação satisfatória das concepções de.comportamento criativo e pensamento, conforme o comportamentalismo.radical de B. F. Skinner. A presente investigação teve, portanto, um.duplo objetivo, que consistiu em identificar: (1) a interpretação.skinneriana de comportamento criativo e pensamento e (2) a concepção.skinneriana de regra e comportamento controlado por regra. A principal.justificativa para tal empreendimento está na constante relação que B..F. Skinner apresenta entre os conceitos de estímulo verbal, regra e.comportamento criativo e, ao mesmo tempo, na controvérsia, disseminada.pelos comentadores e cientistas da área, que caracteriza a busca de.uma definição suficiente e sem ambiguidades de """"regra"""". Geralmente, os.comentadores apresentam uma identificação entre estímulo verbal e.regra que parece satisfazer a definição desse como um corolário dos.argumentos envolvidos no tópico """"Comportamento Verbal."""" Por outro.lado, é comum que comentadores da obra de B. F. Skinner definam o.comportamento criativo como variação ou recombinação de unidades, o.que implica em supor que o comportamento criativo não se diferenciaria.de outras emissões do comportamento operante, uma vez que a variação.é, segundo o modelo skinneriano de seleção pelas consequências,.aspecto onipresente das emissões comportamentais. Parte do trabalho.consistiu em demonstrar como uma explicitação das distinções que.existem entre estímulo verbal e regra podem colaborar com uma.definição precisa e produtiva do comportamento humano complexo e.criativo, sem perder de vista as característivas inerentes ao objeto.da interpretação comportamental. Visando tais objetivos, o curso da.investigação seguiu o seguinte itinerário: (1) identificação, em.textos do autor, das noções que fundamentam a interpretação.comportamental; (2) análise sistemática do conceito de estímulo verbal.em suas possíveis funções comportamentais e, desse modo, também sua.relação com o conceito de regra; (3) formulação de uma interpretação.alternativa do comportamento criativo e controle por regra baseada no.sistema explicativo skinneriano. Por fim, realizou-se uma breve.incursão nas formulações de Dewey e Wertheimer sobre o comportamento.criativo e o pensamento visando, desse modo, delinear possíveis.convergências na perspectiva interpretativa apresentada pelos três.autores. Dentre os resultados mais importantes, demonstrou-se que: (1).a simples suposição de variabilidade não explica o comportamento.criativo, segundo a perspectiva não somente de B. F. Skinner, mas.também de John Dewey e Max Wertheimer; (2) quatro noções skinnerianas.são fundamentais na relação conceitual entre análise e interpretação.comportamentais: força, propriedade, contínuo e complexidade; (3).regra não se define como estímulo verbal, e nem é uma subcategoria.conceitual desse tipo de estímulo; (4) o comportamento criativo é.necessariamente complexo e organizado, apresentando uma estrutura.funcionalmente definida; (5) regra é um dos elementos do comportamento.complexo criativo; e (6) regra é estímulo discriminativo complexo novo.com uma complicação funcional característica da emissão criativa,.embora não se restrinja a esse contexto comportamental.
