- Autor
- Roberto Goto
- Revista
- Sofia
- Edição
- 6 / 3
- Ano
- 2018
- DOI
- 10.47456/sofia.v6i3.17749
- Páginas
- 69-80
- Idioma
- pt
Não obstante a sofisticação de teorias e aparatos críticos, parece ser irresistível o impulso a simplificar a prática da leitura e da interpretação, de modo a reduzi-la ao encontro do que seria a “mensagem” do texto. Na pesquisa acadêmica não é diferente, porquanto tende-se a adotar e aplicar determinadas leituras como chaves interpretativas que dariam acesso à “mensagem” do autor pretensamente pesquisado. É o caso de Platão, a despeito da forma literária na qual e pela qual se apresenta sua obra, evidência primeira de seu caráter polifônico. A apreciação dessa dimensão da obra atribuída ao nome “Platão” é, se não via legítima e necessária de interpretação, capaz de conduzir o intérprete pela riqueza (Poros...) semântica e melódica dos textos platônicos, ao menos antídoto para a penúria (Penia...) que se desnuda sempre que alguém repisa a “mensagem” platônica.
