- Autor
- Eliane Robert Moraes
- Revista
- Cadernos de Ética e Filosofia Política
- Edição
- 1 / 26
- Ano
- 2015
- DOI
- 10.11606/issn.1517-0128.v1i26p93-105
- Páginas
- 93-105
- Idioma
- pt-BR
Distantes entre si no tempo e no espaço, as literaturas de Sade e de Reinaldo Moraes parecem observar os mesmos princípios. De fato, num e noutro, as recorrentes fantasias de desmoronamento sempre valorizam o choque, o assombro e a instantaneidade do evento, tendo em vista a produção da catástrofe. Além disso, a trajetória do herói de Pornopopéia não é menos atribulada que a da protagonista de Histoire de Juliette, evidenciando o mesmo gosto pelo excesso. Se a miséria lapidar de Zeca coincide com a incalculável riqueza da devassa sadiana é porque, apesar de suas posições extremadas, eles nada constroem, nada edificam, nada produzem, entregando-se por completo à vertigem da dilapidação. Um exame dos dois autores sugere que suas ficções eróticas “corrigem” o mundo segundo os imperativos do desejo, sem qualquer constrangimento, seja ele de ordem moral, ética, política, religiosa ou psicológica.
