- Autor
- Lyon Alves
- Revista
- Aufklärung: journal of philosophy
- Edição
- 12 / 1
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.18012/arf.v12i1.70987
- Páginas
- p.137-148
- Idioma
- pt
O tema da responsabilidade moral, mais especificamente o problema filosófico sobre nossos atos de louvor e censura, é comumente teorizado a partir da correlação entre conceitos gerais e sua relação com a experiência intersubjetiva. As variações e discordâncias sobre o tema podem ser compreendidas e superadas se forem analisadas à luz de sua natureza filosófica, envolvendo a raiz metafilosófica e metodológica da responsabilidade moral. Com isso, as questões centrais da presente arguição são: por que a responsabilidade é um problema filosófico? Qual é a raiz de sua inquirição? Para contemplar tais questões, faz-se necessário cotejar teorias que se encontram no contexto britânico dos séculos XIX e XX, época na qual o artigo mais influente sobre o tema foi escrito por P. F. Strawson, e sua compreensão do problema moral como resultado de um movimento filosófico que pode ser rastreado até o neokantismo. Não obstante o fato de podermos traçar diferenças entre o contexto analítico britânico e o neokantismo, é necessário antes entender que ambos os programas estão interligados por uma oposição comum ao cientificismo e ao psicologismo, e que ambas as perspectivas gestam-se a partir da derrocada do idealismo hegeliano (mesmo que em diferentes frentes). Assim, será por meio da comparação entre Strawson e Cassirer que buscaremos um fio que torne possível a correta fixação do problema filosófico a partir da compreensão metodológica que aproxima – mesmo que seja uma aproximação tênue – ambos os autores à luz de um problema metafilosófico.
