Voltar para Teses
Teses

Rousseau e a fundamentação da moral: entre razão e religião

Genildo Ferreira da Silva

Tese
Autor
Genildo Ferreira da Silva
Orientador(a)
Roberto Romano da Silva
Universidade
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2004
2004Genildo Ferreira da Silva. Rousseau e a fundamentação da moral: entre razão e religião. 2004. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, SP. Orientador(a): Roberto Romano da Silva.2

Um dos temas centrais da filosofia moderna sempre foi o problema da fundamentação da moral. O cenário que emoldura nosso tema é o conflito que, no século XVIII, envolveu posições da apologia cristã e do ateísmo em torno da definição das bases da justificação do agir moral, no Iluminismo francês. Nosso objeto central é a posição que Jean-Jacques Rousseau ocupa nesse cenário. Algumas perguntas orientam o trabalho: Para Rousseau, a justificação da moral deve recorrer a um fundamento teológico-místico ou estar totalmente independente da religião? Como a moral se relaciona com a religião? Procuramos mostrar como as idéias de Rousseau, concernentes à religião e à moral relacionam-se para chegar a uma conclusão que desagradará tanto a seus intérpretes defensores da fé quanto aos ateístas. O que pode surpreender é que Rousseau tenha empreendido uma das mais severas críticas ao cristianismo na defesa intransigente da razão, mas, ao mesmo tempo, tenha preservado um lugar fundamental para um novo tipo de concepção de divindade na fundamentação racional da moral. Nas principais obras de Jean-Jacques, investigamos os nexos entre religiosidade e política, sentimento e moral, a idéia de secularização da cultura no século XVIII e as teses do Iluminismo sobre a vida civil. Metodologicamente, procedemos a uma genealogia das referências, influências e argumentos presentes em seus principais textos, que tratam dos conceitos dedicados ao esclarecimento do valor da religião para a vida humana, e dos vínculos entre a instituição religiosa e a experiência moral. No contexto da razão na Modernidade, pretendemos reconstruir o lugar que a religião ocupa na concepção de moral em Rousseau. Buscamos descrever como Rousseau se insere na corrente de livres pensadores que nasce no século XVII ou é influenciado por ela, e de que maneira ele participa da contenda entre os filósofos materialistas ateus que defendem a emancipação da filosofia e da moral dos grilhões da religião positiva, e os apologistas cristãos. O ponto de apoio do argumento é que para compreendermos o lugar da religião no pensamento de Rousseau é imprescindível abordar sua singular concepção do sujeito (e da subjetividade) e do princípio de autonomia (no conflito entre o poder civil, o poder estatal e a hierarquia religiosa) - centro do pensamento moderno. Principalmente entre intérpretes do pensamento da Modernidade, é comum colocar-se religião e razão, vida privada e política, em lados diametralmente opostos. Rousseau refaz essa geografia. Por isso, investigamos o problema da religião e da moral na perspectiva das noções de racionalidade e liberdade das pessoas. Esse ponto é importante para a concepção política de Rousseau, além de estabelecer sua crítica às religiões institucionais. É também crucial para compreender que faz parte do seu projeto pensar a religião, mesmo que sob novos prismas, desempenhando um papel mediador, o caminho da redenção sem o peso da teologia. É neste ponto que se formará uma compreensão do sujeito autônomo e da sua responsabilidade, sem recurso a uma autoridade fora dos limites da racionalidade humana.