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Rousseau e a questão das educações pública e doméstica

Maria de Fátima Simões Francisco

Autor
Maria de Fátima Simões Francisco
Revista
Cadernos de Ética e Filosofia Política
Edição
1 / 16
Ano
2010
DOI
10.11606/issn.1517-0128.v1i16p59-78
Páginas
59-78
Idioma
pt
2010Maria de Fátima Simões Francisco. Rousseau e a questão das educações pública e doméstica. Cadernos de Ética e Filosofia Política, v. 1, n. 16, p. 59-78, 2010.2

Nas várias leituras que se fizeram do Emílio, especialmente por pedagogos, observa-se uma interpretação predominante que dá como certo que Rousseau deixa de lado a educação pública, voltada para a formação do cidadão, e opta por uma proposta de educação doméstica, visando formar o homem, o particular, o indivíduo. Neste artigo, pretende-se chamar a atenção para algumas dificuldades implicadas nessa interpretação com base no exame de uma importante passagem do Emílio, em que o autor expõe a contradição homem-cidadão e o dilema da escolha entre um ou outro. Toda a discussão aponta para a hipótese de que Rousseau almeja uma conciliação, um “concerto”, entre as exigências contraditórias de seu projeto educativo, uma vez que, para além da escolha exclusiva entre o homem ou o cidadão, é preciso formar Emílio em “acordo consigo mesmo”.