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Sartre e a literatura: Imaginação, engajamento e liberdade

Cláudio Pires Viana

Autor
Cláudio Pires Viana
Revista
Perspectivas
Edição
5 / 2
Ano
2021
DOI
10.20873/rpv5n2-72
Páginas
32-53
Idioma
pt
2021Cláudio Pires Viana. Sartre e a literatura: Imaginação, engajamento e liberdade. Perspectivas, v. 5, n. 2, p. 32-53, 2021.1

No ensaio Que é a literatura? publicado originalmente em 1947, Jean-Paul Sartredesenvolve os seus argumentos em resposta às duras críticas que recebia em razão do princípiodo engajamento característico de suas obras literárias. Esses críticos entendiam que Sartreutilizava a literatura como pretexto para propagar e defender suas teses políticas e filosóficas,produzindo assim um tipo de literatura engajada, distorcendo e empobrecendo o sentido nobreda arte das belles-lettres. Em resposta a essas críticas, a intenção de Sartre é fazer uma exaltaçãoda literatura, compreendendo-a como um livre desvendamento do sentido de mundo por meiode um objeto imaginário, um pacto de generosidade entre autor e leitor. Com objetivo dediscutir o sentido filosófico da literatura, este artigo se fundamenta na ontologiafenomenológica de Sartre e nos argumentos apresentados pelo autor em resposta a seus críticos,apresentando o princípio de engajamento a partir do conceito de intencionalidade daconsciência e o sentido fenomenológico da imaginação, entendendo que se trata de umadiscussão que embasa filosoficamente o entendimento do autor sobre o que é a literatura e suaimportância para a constituição da subjetividade e afirmação da liberdade.