- Autor
- William Mattioli
- Revista
- Voluntas: Revista Internacional de Filosofia
- Edição
- 12
- Ano
- 2021
- DOI
- 10.5902/2179378667452
- Páginas
- e13
- Idioma
- en
Neste artigo, pretendo argumentar que o surgimento das condições materiais para a supressão e a negação da vontade no organismo humano (o desenvolvimento extraordinário e em certa medida “antinatural” do cérebro) não é algo como um “acidente de percurso” no processo de manifestação da vontade no mundo. Trata-se, antes, de um resultado intencional de todo o processo de objetivação da vontade, um resultado que emerge de uma ordenação teleológica. Essa ordem teleológica é primária e mais fundamental do que a ordem teleológica da natureza que produz cada fenômeno e cada estrutura orgânica em função de sua capacidade de promover o surgimento, a conservação e a expansão da vida. Isso faz com que tenhamos de encarar o problemático princípio de finalidade da natureza no pensamento de Schopenhauer como contendo duas ordens distintas e em grande medida contraditórias. Podemos denominar essas duas ordens de finalidade “ordem da natureza” e “ordem da salvação” (em analogia com o “reino da natureza” e o “reino da graça” de Schopenhauer). Essas duas ordens de finalidade no mundo correspondem àquilo que entendo serem duas formas de teleologia que convivem em constante tensão em seu sistema: uma teleologia funcional e uma teleologia ético-soteriológica.
