SIGNO, SUPLEMENTO, ESCRITURA: DESCONSTRUÇÕES DA FENOMENOLOGIA DA LINGUAGEM E DA LINGUÍSTICA ESTRUTURAL
MARCELO CORREA GIACOMINI
- Autor
- MARCELO CORREA GIACOMINI
- Orientador(a)
- ALICE MARA SERRA
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2019
O OBJETIVO DESTA TESE É ACOMPANHAR A LEITURA DESCONSTRUTIVA REALIZADA POR JACQUES DERRIDA ACERCA DO SIGNO LINGUÍSTICO, DESDE SUAS LEITURAS DA FENOMENOLOGIA DE EDMUND HUSSERL E DA LINGUÍSTICA ESTRUTURAL DE FERDINAND DE SAUSSURE, ENFATIZANDO SEUS DESDOBRAMENTOS NA OBRA DO LINGUISTA FRANCO-SÍRIO ÉMILE BENVENISTE E SUAS RELAÇÕES COM A DESCONSTRUÇÃO. PRINCIPALMENTE, NOS TEXTOS DERRIDIANOS DAS DÉCADAS DE 1960 E 1970, RETOMAMOS OS QUASE-CONCEITOS DE SUPLEMENTO E DE ESCRITURA (ÉCRITURE) PARA REFLETIR SOBRE AS CONDIÇÕES DE POSSIBILIDADE DO DISCURSO E DE APROPRIAÇÃO DA LÍNGUA, QUE MARCARIAM A INSTÂNCIA DO SUJEITO NA LINGUAGEM. INVESTIGANDO AS TEORIAS DE BENVENISTE SOBRE A ENUNCIAÇÃO, SUSTENTAMOS QUE UM DOS PRINCIPAIS ELEMENTOS QUE FUNDAMENTAM SUA TEORIA ENUNCIATIVA, O PRONOME PESSOAL “EU”, CARACTERIZADO PELO AUTOR COMO PERTENCENDO A UM CONJUNTO DE SIGNOS VAZIOS E QUE NÃO PODEM SER MAL-EMPREGADOS, AMPLIA AS POSSIBILIDADES PARA O GESTO DESCONSTRUTIVO, EM FACE DA RELAÇÃO DICOTÔMICA DO SIGNO EM HUSSERL, FUNDADA NA DIVISÃO ENTRE ÍNDICE (ANZEICHEN) E EXPRESSÃO (AUSDRUCK), E EM SAUSSURE, NA DÍADE SIGNIFICADO/ SIGNIFICANTE. EM SEGUIDA, A PARTIR DA LEITURA DE CURSOS PROFERIDOS POR BENVENISTE NOS ANOS 1968 E 1969, ANALISAMOS SUA CONCEPÇÃO DE QUE A ESCRITA NÃO ESTÁ SUBORDINADA OU REDUZIDA, NECESSARIAMENTE, À DIMENSÃO FONÉTICA DO SIGNO LINGUÍSTICO, MAS ADVÉM DAQUILO QUE DENOMINA DE “LINGUAGEM INTERIOR”, QUE SE CARACTERIZA POR SER UMA LINGUAGEM ALUSIVA, GLOBAL E MEMORIZADA. AO DEFENDER QUE A ESCRITA NÃO É UM SIGNO DA FALA, BENVENISTE SE VALE DO CONCEITO DE RELAIS PARA EXPLICAR QUE, EMBORA SEJA CONSIDERADA UM SISTEMA SECUNDÁRIO DE SIGNOS, A ESCRITA ESTÁ SEMPRE APTA A SE TORNAR FALA NOVAMENTE. ESSA APTIDÃO É CARACTERIZADA COMO UM “REVEZAMENTO”, QUE NÃO POSSUIRIA NENHUM CENTRO DE SENTIDO QUE O REGULE, PERMITINDO ESTABELECER UM PARALELO COM A DESCONSTRUÇÃO DO SUJEITO E DA ESTRUTURA. TAIS PERSPECTIVAS AMPLIARIAM A LEITURA DESCONSTRUTIVA SOBRE O REBAIXAMENTO DA ESCRITA EM FACE DA FALA, UM DOS PONTOS PRINCIPAIS DA DESCONSTRUÇÃO DE DERRIDA DO FONO-LOGOCENTRISMO. FINALMENTE, PROPOMOS PENSAR A DIFFÉRANCE NA DESCONSTRUÇÃO NÃO APENAS POR MEIO DO ASPECTO ESTRUTURAL DO SIGNO LINGUÍSTICO, DEFINIDO EM SUAS RELAÇÕES DIFERENCIAIS E DE REMISSÃO ENTRE SIGNIFICANTES, MAS TAMBÉM, POR MEIO DA INVESTIGAÇÃO DOS SIGNOS CUJOS TRAÇOS NÃO PODEM SER RECONSTITUÍDOS NA DIMENSÃO APROPRIATIVA DA LÍNGUA, PARA O QUE CONSIDERAMOS, A PARTIR DE TEXTOS DE DERRIDA, OS SENTIDOS DE DES-APROPRIAÇÃO DA LINGUAGEM.
