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Singularidade e universalidade nos processos de leitura de Kierkegaard

José Miranda Justo

Autor
José Miranda Justo
Revista
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea
Edição
2 / 1
Ano
2014
DOI
10.26512/rfmc.v2i1.12393
Páginas
83-101
Idioma
pt
2014José Miranda Justo. Singularidade e universalidade nos processos de leitura de Kierkegaard. Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, v. 2, n. 1, p. 83-101, 2014.2

Com muita frequência encontramos comentadores da obra de Søren Kierkegaard que procuram ultrapassar a diversidade e a heterogeneidade interna da produção kierkegaardiana mediante processos de redução à unidade, em particular transformando o filósofo dinamarquês exclusivamente num pensador religioso. A título de exemplo, o presente artigo começa por abordar a leitura que Jean Starobinski oferece desse tipo de redução. Subsequentemente o artigo procura caracterizar em pormenor a diversidade e a heterogeneidade kierkegaardianas e encontrar para elas um tipo de resposta baseado em pressupostos de natureza hermenêutica, designadamente numa teoria da singularidade e da universalidade da experiência que consiga ultrapassar os extremos de uma dicotomia radical entre unidade a todo o custo e multiplicidade inoperante. A última parte deste trabalho trata de exemplificar a aplicabilidade dos conceitos de singularidade e de universalidade numa sequência de casos concretos da produção de Kierkegaard, concluindo pela integração de tais conceitos numa compreensão da construção da subjectividade existencial do leitor dessa produção.