- Autor
- Mariana Paolozzi Sérvulo da Cunha
- Revista
- Revista Dissertatio de Filosofia
- Edição
- 51
- Ano
- 2021
- DOI
- 10.15210/dissertatio.v51i0.14522
- Páginas
- 153-165
- Idioma
- pt
A pergunta “O que sou, então, meu Deus ?” (“Quid ergo sum, Deus meus ?”, Conf. X, XVII, 26) – um dos motes da investigação agostiniana – remete de forma pungente e significativa ao tema da relação, de modo mais exato à questão da autorrelação e da alteridade. Com suas reflexões sobre a memória, Agostinho expressa o problema sempre atual da autorrelação em algumas das suas diversas matizes e aspectos a partir da própria experiência de si. Avançar na zona do desconhecido, nesse contexto, significa aproximar-se das esferas ocultas do eu, e a memória - ou o inconsciente - é o portal de entrada a essa área. Procura-se enfatizar, neste artigo, o modo pelo qual o conhecimento/desconhecimento de si, resultante da autorrelação e da investigação de si mesmo, funciona como uma força de empuxo à própria saída-de-si. A resposta à pergunta “O que sou, então, meu Deus ?” – etapa do cognosce te ipsum - remete à noção de relação passando pela ideia do descentramento do ego. Da autorrelação à relação com o outro, delineia-se em Agostinho uma abordagem relacional do eu, onde a memória apresenta-se como sede do divino. Encontramo-nos, portanto, longe da moderna noção de subjetividade, onde a visão de si envolve a ideia de autossuficiência.
