- Autor
- Michael Staudigl, Diego Ramos Mileli
- Revista
- Cadernos de Ética e Filosofia Política
- Edição
- 2 / 33
- Ano
- 2018
- DOI
- 10.11606/issn.1517-0128.v2i33p31-45
- Páginas
- 31-45
- Idioma
- pt-BR
O artigo empreende a tentativa de refletir criticamente sobre a possibilidade de um contato não danoso com o outro, indicada sob o mote da interculturalidade, à luz do pensamento radical de Lévinas e Derrida sobre a alteridade. Essa reflexão se encontra sob a suspeita de que as filosofias ou fenomenologias da interculturalidade não dão conta da negatividade do encontro intercultural de fato com o outro irredutível, como a história do imperialismo e colonialismo europeus produziram. Para comprovar isso, eu refletirei sobre as funções, as quais o conceito de cultura assumiu nos discursos sobre a Europa. No centro da questão se encontra a comprovação de que a identificação da superioridade europeia sob o signo da cultura implica na constituição do outro como um outro ameaçador, a qual promove a brutalidade desta lida, ou seja, a história da violência – tanto interna quanto externa – da Europa. Sobre este plano de fundo eu concluo com o rascunho de alguns contornos de uma política da não-indiferença cultural, cujas raízes vejo remeterem ao pensamento de uma descolonização do imaginário da Europa.
