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Sobre a função do desejo na escolha dos meios na ética aristotélica

Jaqueline Stefani, Giovana Grison

Autor
Jaqueline Stefani, Giovana Grison
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
26 / 2
Ano
2026
DOI
10.31977/grirfi.v26i2.5798
Páginas
255-265
Idioma
pt
2026Jaqueline Stefani, Giovana Grison. Sobre a função do desejo na escolha dos meios na ética aristotélica. Griot : Revista de Filosofia, v. 26, n. 2, p. 255-265, 2026.3

Neste artigo, busca-se examinar até que ponto Aristóteles entende o desejo não só como uma força orientadora dos fins, mas como um elemento ativo no raciocínio prático, isto é, no processo de escolha dos meios adequados para atingir esses fins. Além disso, dada a diversidade de tipos de desejo (orexis) apresentada por Aristóteles, querer (boulesis), apetite (epithymia) e ímpeto (thymos), investiga-se qual deles é o responsável por eleger os melhores meios para atingir um fim qualquer, juntamente com a deliberação racional (bouleusis), elementos que compõem a escolha deliberada (prohairesis). Para atingir tal objetivo, são analisadas as obras De Anima, Retórica e Ética a Nicômaco, além da literatura secundária pertinente ao tema. Conclui-se que o desejo exerce uma função estrutural na escolha dos meios que conduzem aos fins. Ao caracterizar a prohairesis como orexis bouleutiké, Aristóteles rompe com uma visão estritamente dualista entre desejo e razão, revelando que a escolha deliberada não é um ato puramente intelectual, mas um movimento integrado entre disposição desejante e cálculo racional.