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Sobre a (in)completude e os aspectos existenciais na obra “A parte que falta” de Silverstein

Thiagos Sitoni Gonçalves, Carolina Rocha de Assumpção, Tassiana Caroline Pereira, Leila Silvana Pontes

Autor
Thiagos Sitoni Gonçalves, Carolina Rocha de Assumpção, Tassiana Caroline Pereira, Leila Silvana Pontes
Revista
Revista DIAPHONÍA
Edição
7 / 2
Ano
2023
DOI
10.48075/rd.v7i2.28479
Páginas
53-68
Idioma
pt
2023Thiagos Sitoni Gonçalves, Carolina Rocha de Assumpção, Tassiana Caroline Pereira, Leila Silvana Pontes. Sobre a (in)completude e os aspectos existenciais na obra “A parte que falta” de Silverstein. Revista DIAPHONÍA, v. 7, n. 2, p. 53-68, 2023.1

A estilística de vida move as linhas do presente trabalho, considerando a arte um subterfúgio reflexivo e político, possível de sustentar os diversos sentidos para o existir. Com base na literatura, como uma expressão da arte, em interface com a Psicologia, buscamos compreender o projeto de completude da personagem em A Parte que Falta, obra de Silverstein (1976/2018). O vazio torna-se uma questão que permeia os (des)encontros humanos com a liberdade, a situação, o outro e a reciprocidade. Em um viés existencialista, Jean-Paul Sartre (1943/2015) ampara uma compreensão da leitura a partir do método fenomenológico, destacando todo o desvelar do conhecimento em seu curso, nunca determinado, em constante vir-a-ser. O projeto de completude surge por um incômodo da personagem devido a sua condição corpórea ao passo que ser completa em seu imaginário era sinônimo de realização, entrementes, ao completar-se, ela experiencia o caráter de em-si, um engodo hermético ao mundo, percebendo o vazio enquanto a possibilidade que ainda não se fez e que a impulsiona a criar seu próprio caminho. Ao questionarmos acerca do para quê/para quem falta, Simone de Beauvoir (1949/2015) subsidia as problematizações, encorpando uma faceta feminista para o existencialismo, escancarando as nuances da liberdade (não sendo igualitária ao sujeito fêmea), o custo de transcender uma situação, sendo a completude, uma escolha alienada da mulher para sustentar seu ser no mundo masculinizado e hierarquico. O caráter de Outra, de inessencial permeia a historicidade da mulher, tornando a liberdade um constante enfrentamento em toda situação no patriarcado (família, matrimônio, sexualidade, política), tornando a falta um empecilho para a genuína realização no mundo.