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SOBRE AS ORIGENS DO VOCABULÁRIO POLÍTICO MEDIEVAL

José Antônio Martins

Autor
José Antônio Martins
Revista
Trans/Form/Ação
Edição
34 / 3
Ano
2011
DOI
10.1590/S0101-31732011000500006
Páginas
51-68
Idioma
pt
2011José Antônio Martins. SOBRE AS ORIGENS DO VOCABULÁRIO POLÍTICO MEDIEVAL. Trans/Form/Ação, v. 34, n. 3, p. 51-68, 2011.1

O fenômeno da incorporação do corpo lexical político aristotélico transliterado do grego ao contexto latino do século XIII nos remete a problemas sobre as presenças e ausências terminológicas, não somente na tradução da Política, feita por Guilherme de Moerbeke, e nos comentários de Alberto Magno e Tomás de Aquino ao texto latino de Aristóteles, mas também à possível reverberação desses vocábulos políticos moerbekianos em alguns leitores da Política, no século XIV. Não se trata apenas de veri*cação de quem usou ou não usou tais ou quais termos, nem mesmo da elaboração de juízos sobre esses usos, como que para rotular pensadores; antes, trata-se de tentar individuar, a partir dos usos terminológicos, o surgimento de um novo modo de pensar e compreender a esfera da vida humana que é a dimensão pública, ou melhor, política. Tentaremos compreender, neste artigo, especificamente como emerge, a partir dessa tradução latina da Política, um novo quadro conceitual, a saber: a esfera política. Constataremos que a tradução da Política de Moerbeke consolida um novo vocabulário e um novo quadro conceitual que será, doravante, um dos fundamentos do pensamento político.