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Sobre dialética e indicação formal em ontologia: hermenêutica da facticidade

Roberto Kahlmeyer-Mertens

Autor
Roberto Kahlmeyer-Mertens
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
26 / 2
Ano
2026
DOI
10.31977/grirfi.v26i2.5791
Páginas
160-176
Idioma
pt
2026Roberto Kahlmeyer-Mertens. Sobre dialética e indicação formal em ontologia: hermenêutica da facticidade. Griot : Revista de Filosofia, v. 26, n. 2, p. 160-176, 2026.5

Este artigo objetiva destacar o interesse limitado de Heidegger pela dialética e sua não aplicação em obras como Ontologia: Hermenêutica da Facticidade. Mostraremos que, para o filósofo, especialmente nessa obra, o procedimento dialético é passível de críticas; a apresentação dos termos destas constitui parte substancial do nosso trabalho. Com base nesse curso de 1923 em Friburgo, apontaremos diversos momentos em que Heidegger se opõe à dialética, especialmente ao que dela resulta em uma espécie de “platonismo de bárbaros”, na filosofia de seu tempo. Para contextualizar essas análises, buscaremos contrastar o procedimento dialético com a atitude fenomenológica adotada por Heidegger em sua fenomenologia hermenêutica da vida fática. Para tanto, será necessário introduzir o conceito de “indicação formal”, que, embora não muito evidente na obra que nos serve de base, é crucial como método da filosofia heideggeriana durante esse período. Pelo que pudemos ver, a dialética é propriamente a antítese da fenomenologia. Contudo, ao final do artigo, indicaremos que, anos antes, o filósofo havia considerado um papel para a dialética em sua própria filosofia, o que originou à proposta de uma “diahermenêutica”. Essa ideia será retomada aqui, embora jamais tenha sido desenvolvida pelo filósofo.