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Sobre hipocrisia, dissimulação e coisas afins - Nietzsche e a vontade de engano

Gustavo B. N. Costa

Autor
Gustavo B. N. Costa
Revista
Argumentos - Revista de Filosofia
Edição
2
Ano
2009
DOI
10.36517/Argumentos.1.2.18927
Idioma
pt
2009Gustavo B. N. Costa. Sobre hipocrisia, dissimulação e coisas afins - Nietzsche e a vontade de engano. Argumentos - Revista de Filosofia, n. 2, 2009.1

Objetivamos aqui fazer uma a defesa da hipocrisia com base no pensamento nietzscheano. Primeiramente fazemos uma distinção de aspectos sob os quais as idéias de hipocrisia [Heuchelei] e dissimulação [Verstellung] aparecem nos textos nietzscheanos – o que vem a nos mostrar a associação destas às idéias de proteção, vaidade e fé. Tal distinção aponta para o fato de que as críticas de Nietzsche não se dirigem à hipocrisia enquanto arte da dissimulação, mas, ao auto-engano que se manifesta na “falta de crença em si” do vaidoso e na “crença” presente na fé. Se ao primeiro faltalhe a boa-consciência, no segundo esta é corrompida pela falsa visão de si como única verdade. Em um segundo momento, expomos o problema da vontade de verdade em Nietzsche. Trazendo à tona o auto-engano aí presente, o autor revela a “necessidade de superfície” para a vida, apontando para a vontade de aparência como “vontade fundamental do espírito”. É por meio desta que procuramos conferir à hipocrisia um embasamento filosófico.