- Revista
- Cadernos de História e Filosofia da Ciência
- Edição
- 12 / 1
- Ano
- 2017
- Páginas
- 29
- Idioma
- pt
Neste artigo, propomos uma leitura do argumento cartesiano do sonho segundo a qual ele deveria ser analisado como um entimema, isto é, como um argumento retórico portador de premissas elípticas. Mais precisamente, o princípio da dúvida hiperbólica, embora formulado no início das Meditações (“tomar as coisas duvidosas como falsas”), desempenharia um papel crucial na inferência contida nesse argumento, que o leitor comum que Descartes teria em mente tende a desconsiderar. Tentamos mostrar que este ponto poderia nos propiciar não apenas uma melhor compreensão do papel do argumento nas Meditações, mas uma diferente compreensão da relação entre a filosofia cartesiana e a tradição cética. Palavras-chave: ceticismo; filosofia moderna; argumento do sonho; Descartes.
