- Autor
- Mauricio Rocha
- Revista
- Revista Conatus - Filosofia de Spinoza (ISSN 1981-7509)
- Edição
- 3 / 5
- Ano
- 2009
- Páginas
- 71-80
- Idioma
- pt
O problema do Infinito engaja todos os saberes da época clássica: quando se trata da Criação e da Perfeição divinas; dos laços entre infinitude e finitude, visando conceder um lugar que seja próprio às criaturas. Tornado problema cosmológico, ao se romperem os quadros finitistas da física geocêntrica, a idéia do Infinito põe em causa os saberes científicos, o discurso teológico, as condutas e o destino humanos, e a própria Natureza. Diante de um universo aberto, eis a vertigem. Ao conceber um infinito positivo e atual, Spinoza não recua abismado, não cai em desespero, nem supõe a incompreensibilidade desse conceito que define e divide as filosofias do século XVII. Considerando o finito como habitado pelo Infinito, Spinoza leva a imanência ao extremo, afirmando a presença do Infinito no finito. O final da carta 12 nos leva à abertura da Parte I da Ética, pois a causa sui nos situa nesse movimento de imediato: pensamos no interior do infinito.
