Voltar para Teses
Teses

Subjetividade, Idéias e Coisas: estudo crítico e tradução da lógica de Port Royal, parte I, I-VIII.

Katarina Ribeiro Peixoto

Tese
Autor
Katarina Ribeiro Peixoto
Orientador(a)
Lia Levy
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2012
2012Katarina Ribeiro Peixoto. Subjetividade, Idéias e Coisas: estudo crítico e tradução da lógica de Port Royal, parte I, I-VIII.. 2012. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Lia Levy.1

Estudo crítico e tradução da Primeira Parte da Lógica ou A Arte de Pensar, que ficou conhecida.como Lógica de Port-Royal (1683), para a língua portuguesa. O estudo volta-se para a análise.dos capítulos I a VIII da Primeira Parte e visa a explicitar o caráter híbrido desse manual de.lógica, estruturado com o formato dos manuais de lógica escolásticos, inspirados no Organon.aristotélico, e marcado pela recepção e vigência de teses cartesianas fundamentais. Embora o.legado de Aristóteles se manifeste mais do que em seu formato, a Lógica de Port-Royal deve.ser lida como um manual de lógica moderna naquilo que condiciona a sua inteligibilidade: a.introdução de requisitos epistêmicos na determinação do domínio da lógica. No processo de.reforma da lógica iniciado no século XV, Port-Royal se inscreve não apenas na crítica da.concepção de lógica como instrumento para a demonstração silogística da ciência (como já o.tinham feito, por exemplo, os lógicos renascentistas), mas na defesa da lógica como reflexão.prática epistemicamente orientada, caracterizada pela tomada do juízo como ação mental.definidora do domínio lógico. A presença de exigências epistêmicas deriva, em Port-Royal, da.leitura de Descartes e do debate deste com Antoine Arnauld. Teses fundamentais do.cartesianismo são arregimentadas para o projeto lógico de Port-Royal: a prioridade do.pensamento sobre a linguagem; o desprezo da linguagem e da imaginação; a tese de que o uso.de palavras derivaria da função, a um só tempo cognitiva e lógica, do juízo como definidora da.lógica e, condicionando todas essas, a tese fundadora do cartesianismo enunciada na.proposição Penso, logo sou. É a leitura arnauldiana do cogito cartesiano, defende este estudo,.que dá a ver como se pode pensar o cartesianismo em lógica. A análise dos primeiros oito.capítulos é temática, e a perspectiva reformista da Lógica de Port-Royal é apresentada no.estudo da transição dos capítulos III para o IV, e do V para o VI, bem como do VII para o VIII..No capítulo VIII, o estudo se detém sobre o peculiar tratamento port-royaliano dos termos.complexos. Em seguida, volta-se ao que configura o pressuposto subjetivo dessa concepção de.lógica e à expressão representativa desse pressuposto, apresentados nos capítulos I e II da.Primeira Parte do manual, onde os requisitos epistêmicos de uma lógica de ideias são.apresentados e onde o caráter representativo dessas ideias obtém sua vestimenta gramatical.(sujeito, predicado e adjetivo), veiculando determinações lógicas (coisa, modo da coisa, coisa.modificada). Por fim, o estudo busca, na correspondência que Arnauld manteve com Descartes,.em 1648, a origem e o fundamento da concepção de cogito que estará em vigor em Port-Royal,.de maneira explícita, a partir de 1662..Palavras-chave: Lógica de Port-Royal, Reformismo em Lógica, Epistemologia em lógica,.representação, termos complexos, juízo, cogito, cartesianismo.