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TECNOLOGIAS DO GÊNERO, CONTRATECNOLOGIAS DO COMUM: ENTRE DISPOSITIVOS DE PODER E FABRICAÇÕES FEMINISTAS

Renata Guadagnin

Autor
Renata Guadagnin
Revista
Thaumazein: Revista Online de Filosofia
Ano
2026
DOI
10.37782/thaumazein.v19i37.5656
Páginas
73-87
Idioma
pt
2026Renata Guadagnin. TECNOLOGIAS DO GÊNERO, CONTRATECNOLOGIAS DO COMUM: ENTRE DISPOSITIVOS DE PODER E FABRICAÇÕES FEMINISTAS. Thaumazein: Revista Online de Filosofia, p. 73-87, 2026.2

Neste artigo, buscamos compreender o gênero como uma tecnologia social e política que fabrica sujeitos, regula modos de existência e organiza desigualdades. Partindo da formulação de Teresa de Lauretis (1987; 1994), aproximamos a noção de tecnologias de gênero das governamentalidades foucaultianas, investigando como o patriarcado, a colonialidade e o neoliberalismo produzem corpos, narrativas e regimes de visibilidade. Argumentamos que o gênero não é essência ou identidade estável, mas efeito de dispositivos que atravessam materialidades e simbolismos, modulando o campo do possível e o horizonte do pensável. No plano transnacional, examinamos como o neoliberalismo reconfigura o gênero como força de trabalho e como subjetividade governável, ao capturar discursos feministas, precarizar vidas e reorganizar economias do cuidado. Em seguida, refletimos sobre as infraestruturas digitais como novas tecnologias de produção do gênero: algoritmos, plataformas e sistemas de recomendação que operam como dispositivos de poder, intensificando estereótipos, epistemicídios e violências, mas também abrindo brechas para práticas tecnopolíticas insurgentes. Por fim, discutimos o direito como tecnologia de gênero, mobilizando críticas feministas e abolicionistas para evidenciar como o sistema jurídico fabrica sujeitos e hierarquias, ao mesmo tempo em que suas margens abrigam contratecnologias de cuidado, justiça comunitária e reinvenção do comum. Concluímos que, se o gênero é produzido por tecnologias de poder, ele também pode ser reconfigurado por tecnologias de emancipação que recolocam o cuidado, a solidariedade e a justiça interseccional como fundamentos ético-políticos de futuros possíveis.