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Testemunhar é possível? : Reflexões a partir de Jacques Derrida e Giorgio Agamben

Andityas S. de Moura Costa Matos, Fransuelen Geremias Silva

Autor
Andityas S. de Moura Costa Matos, Fransuelen Geremias Silva
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
68 / 1
Ano
2023
DOI
10.15448/1984-6746.2023.1.44771
Páginas
e44771
Idioma
pt
2023Andityas S. de Moura Costa Matos, Fransuelen Geremias Silva. Testemunhar é possível? : Reflexões a partir de Jacques Derrida e Giorgio Agamben . Veritas (Porto Alegre), v. 68, n. 1, p. e44771, 2023.3

Este artigo investiga a possibilidade de testemunhar e reivindicar um testemunho “em verdade, da verdade, para a verdade”. Questiona-se a relação entre testemunho e prova, levando em consideração uma crítica radical à concepção de verdade como presença, conforme apresentada por Jacques Derrida. Ademais, discute-se a impossibilidade de testemunhar eventos radicais, como argumentado por Giorgio Agamben. O objetivo é repensar o testemunho como algo que não pode cumprir sua promessa, ou seja, dizer a verdade. Apesar dessa impossibilidade, o testemunho ocorre no rastro (trace) da escritura (écriture) entre significantes e, seguindo as reflexões de Agamben, também se relaciona com algo que está além dessa significação. Assim, explora-se a importância de questionar o que já não está presente, mas que dá voz ao inominável e não pode ser expresso pela linguagem, como exemplificado por Agamben na análise da figura dos “muçulmanos” em Auschwitz. O artigo busca contribuir para uma melhor compreensão das razões pelas quais o testemunho não deve ser considerado apenas como meio de prova, e sim como algo que nos leva a experimentar a impossibilidade de testemunhar.