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Transcendência e linguagem - O dizer como fundamento da racionalidade ética em E. Levinas

Evaldo Antônio Kuiava

Tese
Autor
Evaldo Antônio Kuiava
Orientador(a)
Ricardo Timm de Souza
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2003
2003Evaldo Antônio Kuiava. Transcendência e linguagem - O dizer como fundamento da racionalidade ética em E. Levinas. 2003. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Ricardo Timm de Souza.2

A partir do pensamento filosófico de Levinas, a compreensão do que seja a racionalidade e suas articulações pretende não ser mais a mesma. Para o autor, a relação ética exige uma outra concepção de racionalidade, diferente daquela consagrada ao longo da tradição filosófica. A racionalidade ética segue uma outra lógica, não derivada exclusivamente do núcleo intelectual do conhecimento; ocorre uma transcendência da 'onto-logia'. Trata-se de uma racionalidade que pensa a questão da diferença para além da diferença ontológica heideggeriana, uma vez que o modo de abordagem da questão da diferença por Heidegger anula as oposições que pretende compreender. Sobretudo, trata-se de pensar a possibilidade de uma diferenciação absoluta, diferença da própria 'diferença': dizer diacrônico que não se esgota no dito sincronizante. Racionalidade fundante, sem a qual a filosofia seria apenas um pensamento em busca de adequação ou desvelamento, mas que não traria mais novidades e, portanto, não teria mais nada a dizer, a não ser buscando outras formas de objetivação e anulação das diferenças, em uma estrutura intelectual que traduz uma compulsão à identidade. Essa racionalidade ética não é sabedoria que constrói sistemas, assim como não é dogma de nenhuma estrutura sistemática ou filosófica. Ao contrário, nela se acentua um duro golpe às estruturas de todo e qualquer sistema, à filosofia como arquitetura lógica, ao imanentismo intelectual que reprime a possibilidade da transcendência, ou seja, do que se exprime desde além da lógica imanente do pensamento. Racionalidade mais profunda que não se deixa mais arrastar na aventura que ocorreu ao longo da história da filosofia ocidental na defesa do primado da ontologia. A racionalidade da transcendência, nesse sentido, segue uma lógica que não reduz o dizer ao dito e, por isso, enriquece e humaniza a visão do mundo e a relação interpessoal. É justamente na relação inter-humana que a nova racionalidade filosófica busca a fonte de sentido, sentido esse que não se diz em termos de uma mera arquitetônica da razão. Segundo Levinas, a verdadeira vocação da filosofia, que a renova e a faz reviver, não é identificar o sentido com a inteligibilidade do ego cogito, como resultado de um ato intelectual, como se fosse possível englobar, em uma teoria, o encontro com o outro ser, como se esse encontro fosse uma experiência cujo sentido poderia ser integralmente recuperado pela reflexão. A mais digna missão da filosofia seria buscar a fonte do sentido nas relações inter-humanas. Este trabalho investiga as condições de possibilidade de tal pretensão, desde a perspectiva de um diálogo com a tradição filosófica e a contemporaneidade, investigação balizada pela interpretação de dimensões da linguagem abertas por esta concepção de racionalidade.