Transcender sem transcendência: elementos para uma reabilitação materialista da religião
Rosalvo Schütz
- Autor
- Rosalvo Schütz
- Revista
- Veritas (Porto Alegre)
- Edição
- 65 / 1
- Ano
- 2020
- DOI
- 10.15448/1984-6746.2020.1.36155
- Páginas
- e36155
- Idioma
- pt
O objetivo deste artigo é compreender como Ernst Bloch articula as concepções de materialismo e religião. Apoiando-se especialmente em F. Schelling, Bloch elaborou uma concepção de materialismo que concebe a capacidade de transcender sem a necessidade de recorrer a um ente transcendente. É a recusa radical de qualquer forma de idolatria. Carregadas de conteúdo utópico, como indicara Feuerbach, as religiões seriam um locus privilegiado de pré-anúncio e emergência do inédito. Seria preciso, no entanto, trazer esses conteúdos para o âmbito da práxis social mediante uma hermenêutica da esperança, de modo que não mais permaneçam apartados do ser humano, como se fossem predicados de um ser transcendente. Se a posição materialista contribui para trazer os conteúdos religiosos de volta para a imanência, a religião, por sua vez, contribui para libertar o materialismo de seus enrijecimentos, acrescentando-lhes conteúdos e sentidos humanos e messiânicos. Assim, ao situar a religião em um horizonte materialista, Bloch contribui, simultaneamente, para evitar que ela se degrade em ideologia e para que o materialismo não se petrifique em dogmas.
