- Autor
- Ana Luiza R. Bedê
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 2 / 2
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2025v2n2p397-407
- Páginas
- 397-407
- Idioma
- pt
Em 1766, Lally-Tollendal, general francês de origem irlandesa, foi condenado à morte pelo Parlamento de Paris sob a acusação de alta traição e abuso de poder. A responsabilidade da derrota na Índia recaiu sobre o militar que seria submetido a um dos julgamentos mais iníquos do século XVIII. Em Ferney, próximo à fronteira suíça, uma voz se ergueu: Voltaire insurgiu-se contra esse processo que ele considera uma “barbárie arbitrária”. A condenação, como se comprovou anos depois, teve caráter eminentemente político – era imperativo encontrar um bode-expiatório para o fracasso na Índia. Neste artigo, demonstraremos como o filósofo direcionou sua artilharia pesada contra o sistema jurídico do Antigo Regime. Por meio de cartas enviadas a amigos influentes na França e na Europa e graças aos livros Précis du siècle de Louis XV (1768) e Fragments sur l’Inde, sur le général Lally et le comte de Morangiés (1773), Voltaire esclarece a opinião pública a respeito desse episódio nefasto. O caso Lally-Tollendal tornou-se emblemático das contradições do Antigo Regime, expondo a justiça como instrumento de vingança política.
